segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Ah, se eu não tivesse medo...

Eu queria ser dessas pessoas afetuosas. Queria muito. Queria abraçar sem neuras e dar beijinhos estalados.Queria não hesitar segundos antes de encostar a cabeça nos ombros mais próximos. 

Eu sempre hesito. Queria dizer. Eu sempre sinto, sinto muito, sinto tanto, sou cheia dos sentimentos, mas raramente digo. Acho que as pessoas acabam adivinhando. Queria que não fosse preciso adivinhar. Sei que meus olhos são bons em dizer, mas eu queria dizer, dizer mesmo. Escuta, meu amor. Olha, meu bem. Meu amor. 

Penso duas vezes antes de tudo. Penso duas vezes e muitas vezes não faço. Fazer é sempre um exercício - um exercício tímido de que tem medo de invadir. Queria não ter medo. 

Ah, se eu não tivesse medo...

sábado, 4 de janeiro de 2014

Confusão psíquica ou hormonal?

Acho que sou bipolar, mas admito. Eu não fui ao psiquiatra para me diagnosticar. Eu não tomo remédios controlados, e não sofro propriamente de instabilidade de comportamento, desses que me levam da euforia extrema à depressão profunda. Na verdade me expressei mal. Meu coração é bipolar, não eu. Eu sou apenas o invólucro onde ele habita, totalmente desgovernado e cheio de si, dono dos meus passos. 

Acontece que cada dia, principalmente na TPM, ele (o coração desgovernado) toma para si um novo papel. Seja o apaixonado, seja o insensível. Mas qualquer papel que seja, tem a intensidade de ser inteiro, de tomar conta de mim completamente. A verdade é que hoje eu posso amar com todas as forças, posso ser solícita e doce, posso ser compreensiva e sorrir pra você. Amanhã já não sei.Meu coração acorda de acordo com a própria vontade.

Desculpa! eu não tenho controle sobre ele. Amanhã você pode ser um estranho, alguém que eu nem quero mais na minha vida, ou que eu não vou me esforçar para agradar. Amanhã, quem sabe, você não caiba no meu peito, não haja espaço pro seu jeito. Desculpa, eu não tenho controle sobre ele!

Acontece, ainda que hoje, eu posso te querer por perto e pra sempre, mesmo sabendo que o pra sempre do meu peito dura apenas as próximas 24 horas. E no momento seguinte, quando você virar as costas, eu simplesmente pense: eu nunca mais quero te ver. Ou eu posso ainda acordar sem graça e sem viço e o coração acordar comigo, mas como se não batesse. Um coração insensível, sem espaço pro sentido, vazio. Um ninho intocável onde habita a solidão.

E no fim do dia, seja qual for o sentimento, o mais absurdo, o mais intenso, é todo meu e me toma, corpo e alma e coração.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Remember!




Essa foto retrata o meu mais importante momento em 2013! Este foi o ano em que provei da graça e da misericórdia de Deus! Muito embora, diversas vezes, eu tenha repetido que o ano que se encerra tenha sido difícil, ao parar para escrever, me dei conta que não foi nada disso! Deus me deu muito além do que eu imaginava e merecia e, sou muito grata à Ele por isso!

Foi em 2013 que me converti de verdade e me batizei deixando grande parte da Silvia para trás! Foi libertador descer do muro e assumir-me como cristã. Honrar o nome de Deus é uma tarefa árdua, pois nossa condição humana nos trai diariamente, mas mesmo assim, perceber-se sondada e quebrantada pelo Espírito Santo transcende todo o entendimento humano! Creiam!

Percebo que as dificuldades profissionais enfrentadas neste ano, serviram apenas para separar o joio do trigo e fortalecer a confiança que a mim foi destinada! Foram dias dolorosos, de angustia e incompreensão, mas que encerraram com a vontade Dele convergindo com a nossa! Obrigada por isso também, Papai do Céu! 

Como esquecer que, em 2013, me alegrei com o casamento dos meus sobrinhos Mayara e Raphael, em uma clara demonstração que àqueles que esperam em Deus são recompensados? Minha mana Selma também apostou no amor de novo, me mostrando que minha hora também vai chegar! 

Como não enaltecer o fato que, foi neste ano, em meio a uma tempestade,que ganhei duas novas oportunidades profissionais? Também foi nos últimos oito meses que venci o pavor de dirigir, comprei um carro e ganhei independência e autonomia para me locomover! Pode parecer besteira, mas imaginava que jamais conseguiria entrar em um carro e dirigir sem medo! Em tudo dai graças! Deus é tremendo! 

Obrigada pela saúde dos meus pais, dos meus manos e manas, sobrinhos e sobrinhas e também pela minha! Obrigada, Senhor, por me dar forças, diariamente, para suportar a dor latente da saudade deles! Obrigada pela nova família que me deste que é a Igreja Batista de Videira! Tu és fiel em sua promessa de nos cuidar!

Obrigada por me mostrar, que ainda posso amar e melhor que isso, ser amada! Obrigada por me mostrar que ainda tenho grandes sonhos a serem realizados! Neste ano, descobri que quero me casar e ser mãe. ("Melhor é serem dois do que um" - Eclesiastes 4:9). 

Continue comigo em 2014! Cuide dos meus sonhos! Tu sondas meu coração, conhece-me mesmo antes de ser gerada na barriga de minha mãe e por isso espero em Ti. 
É assim que oro agradecida!

Silvia, Cascavel - PR, verão de 2013!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Paralelos...

Hoje sai pela manhã, já atrasada, para um compromisso de trabalho. Joguei a mochila com a máquina fotográfica no banco de trás, a bolsa no banco da frente e manobrei apressada pra não deixar ninguém esperando. No centro da cidade peguei trânsito e enquanto esperava os carros seguirem tive um insight: Caraca! Estou dirigindo em um dia de chuva e vou chegar seca e confortável no meu compromisso!
Obrigada Senhor por me dar essa autonomia e independência!

Quantas mudanças minha vida sofreu em 2013! Quantas graças Deus me concedeu!
E que engraçado pensar nisso! Pensar na independência que é ter um carro, perder o medo de dirigir e não precisar mais andar de moto.

Engraçado porque essa independência só existe porque me tornei uma mulher submissa. Submissa aos planos de Deus! Submissa porque em 2013 entreguei minha vida à Ele. Thanks God!

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Silvia Palma- Contradição é seu nome!

Celular toca com um número de Floripa. 
Silvia atende. 
-Senhora sou da empresa de pesquisa tal e gostaria de entrevistá-la sobre planos de telefonia. 
- Bah, agora? tô cheia de coisa pra fazer moço. Demora muito? 
- Uns 15 minutos, senhora. 
- Putz, quanto tempo! Mas tá bom, vou te ajudar, deve ser horrível fazer pesquisas... 
- Ok, Obrigada. Vamos lá. A senhora tem parentes ou conhecidos que trabalhem em agências de publicidade? 
- Tenho sim.Muitos. 
- Ok, já estamos finalizando a pesquisa. 
- Oxe, finalizando? Tá doido menino? Tá me tirando? Você me disse 15 minutos e não deu nem dois!
- Senhora, me desculpe, mas a senhora não se enquadrou no meu perfil! 
- Aff, nunca mais serei gentil com você! Tchau! 
hahahah

sábado, 12 de outubro de 2013

Como pude?

Surpreendente como mudamos ao longo do tempo. Nesta semana, dei de cara novamente, com uma situação, que há uns dois anos eu achei o máximo viver. Naquela época me achei transgressora, corajosa, despojada e descolada. Me vangloriei por ter vivido aquilo. Está registrado aqui no Reflexos de Mim.

Ao ser surpreendida com o encontro dessa semana, o único sentimento que consegui manifestar foi arrependimento! Como pude?

Me lembrei que após o primeiro encontro, quis muito repetir aquela situação. Muito mesmo!
E na última terça-feira, com olhos nos olhos, me envergonhei!


Mansidão...

Como é difícil chegarmos a um consenso quando o assunto é relação interpessoal. Como está cada vez mais difícil tolerarmos as atitudes que não nos agradam no próximo. Que tarefa árdua engolir, ponderar, absorver, digerir uma ofensa.

Eu confesso que não tenho muita habilidade para tal. Tenho feito esforços hercúleos para manter-me distante de confrontos orais. Me falta mansidão, ponderação e sabedoria emocional. Sabe aquela saída estratégica pela direita, com a categoria de uma lady? Pois é! eu não tenho.

Não posso menosprezar a evolução que venho apresentando. Deus tem agido por aqui! Para não me alterar, tenho saído das rodas de conversa, mas o fato é que, antes de sair, deixo um rastro de indignação nada poético e delicado, denotados no meu olhar, tom de voz e modo de pisar. Tão deselegante! Tão desnecessário!


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pelos poderes de Grayskull...

Há quem prefira os covardes, que se alinham ao alarido diante da dificuldade. E há os que escolhem honrar a palavra empenhada, honrar a crença, honrar a condição de sempre posicionar-se com respeito. Posso pecar pelo excesso, mas jamais vou acovardar-me diante do que quer que seja!  # sesentindoashe-ra

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

No strings attached...

No strings attached. No limits, no boundaries. I feel painless and relieved. My heart is so full of freedom, so full of myself, so mighty and untamed, that  it can not be taken or conquered, it has to be given...

Sem amarras. Sem limites, sem fronteiras. Eu me sinto indolor e aliviada. Meu coração está tão cheio de liberdade, tão cheio de mim mesmo, tão poderoso e indomável, que não pode ser tomado ou conquistado, ele tem que ser dado ...

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Entrega...

Na manhã do último domingo (1º)  professei publicamente minha fé e a certeza de que Jesus é meu único e suficiente salvador. Posso afirmar que, definitivamente, a fé transcende o entendimento humano, pois eu que vivo das palavras, eu, que sempre as encontro para traduzir o que sinto e, o que os outros sentem, naquele domingo, nem que eu fosse a mais sábia das poetizas, conseguiria por no papel, a dimensão do amor de Deus por mim e a emoção que senti.

O Batismo é algo tão grandioso, importante e único na vida de um cristão, que até o próprio Jesus, que era o próprio Deus, tinha todo poder, autoridade e santidade, se batizou como nós.

Obrigada a cada membro da Igreja Batista de Videira que me acolheu como sua família. Obrigada a minha mana Sandra e as minhas sobrinhas Mayara e Vitória , assim como o Marcos, que reservaram um pouquinho do seu dia para partilhar comigo o momento mais especial da minha vida.

Foi a decisão mais importante e difícil que tomei em minha vida, mas me saibam feliz!





sábado, 24 de agosto de 2013

Aos prepotentes do caminho...

A prepotência é irmã da arrogância. Nascem ambas do complexo de inferioridade que vocês nem se deram conta que tem. Para compensar esse complexo, vocês passam a agir de forma a demonstrar o que lhes falta, isto é, acreditar em si mesmos. Preferem submeter, humilhar, menosprezar e constranger os outros por não conseguirem suportar seu sentimento interno de pura pequenez. Não se enganem. O fio que separa a autoconfiança, a ousadia e a segurança, da arrogância, é muito tênue.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Precisa mais?

Constantino foi o primeiro a chegar. Recebeu o nome do meu avô materno, o homem mais especial que já conheci. Constantino completa 4 anos no próximo dia 29. Já é um adulto respeitável, se fosse humano teria 29 anos.

O difícil é fazer quem não gosta de animais, entender a ligação que nós podemos ter com eles. Já ouvi muitas coisas ao declarar carinho e afeição pelos meus bichos. Algumas sutis e outras no tom de que gostar de bicho é coisa típica de solteiras (solteironas) ou de quem dedica amor ao bicho, maltrata os humanos....

Não é nenhuma das alternativas ou dos adjetivos que tenho recebido. Poderia elencar aqui, uma série de atitudes que Constantino e Vilaró tem em relação a mim. Entre as mais importantes estão o fato deles partilharem a solidão e a ausência da família, o carinho no momento em que abro a porta e eles vem roçar seus corpos nas minhas pernas em uma demonstração clara que sentiram minha falta, o olhar enternecedor e o aconchego em meu colo, quando as lágrimas caem por algum motivo.


Precisa mais?

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Os melhores textos não são felizes...

Já quis escrever textos felizes, que fizessem as pessoas rirem, mas o que tenho de engraçada na convivência,  acho que não o tenho na escrita. Isto porque, na grande maioria das vezes só escrevo quando estou triste ou quando o assunto realmente se vê pertinente e inconvenientemente chato na minha cabeça.

Contudo, sempre me pergunto: por que é tão difícil escrever textos felizes? E as perguntas continuam. 
Mas de que valem os textos felizes?

Sem que isso soe pretensioso demais, mas pelas minhas constatações os grandes textos, os grandes poemas e os grandes poetas não escreveram textos felizes.Eu acho que os textos com aquele tempero de saudosismo e melancolia são aqueles que guardamos para sempre. Porque o ser humano tem um quê de derrotado e a derrota é tão mais vivida, mais sofrida e mais sentida que a alegria, que a vitória.

O que seria da poesia sem a incerteza, a agonia profunda, o desespero, o trágico e o infortúnio? O que seria das grandes estórias sem o verbo rasgado e os conflitos humanos ou o desequilíbrio ? 

Seja qual for a narrativa, eu creio que  só é sublime e profunda, se for submersa nos nossos maiores pesares. Né não?

sábado, 10 de agosto de 2013

Elas não me representam....

No supermercado, na fila da pizza, duas moças atrás de mim conversavam animadamente. Eram muito bonitas. Bem bonitas, mesmo. O celular de uma delas recebeu uma mensagem. Sem cerimônia ela tirou o aparelho do meio dos seios (no estilo Larissa Riquelme). Leu a mensagem em voz alta. 

Era de um rapaz que dizia que ela era uma mulher especial e queria vê-la. Então, a moça bonita acabou de ler e caiu na risada junto com a amiga. -Você acredita que esse fulano me mandou flores? Por favor, né! Que ridículo! Quer me agradar me mande uma nota de R$ 50,00 – exclamou.

A amiga concordou. Riram alto novamente e ridicularizaram mais uma vez o gesto do moço. A fila andou, mas ainda tive tempo de as ouvir falando pras duas mulheres que montavam as pizzas: - sorte que vocês são casadas, porque os homens hoje em dia são todos uns idiotas.
Oi?

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Eu queria correr...

Eu queria correr. Desenfreadamente, sem limites, para onde o único destino fosse aquele imposto pela medida da minha exaustão. Eu queria correr para longe, distante o suficiente, para ouvir apenas os meus passos, onde o som mais intenso fosse o arfar da respiração....

Eu queria correr numa só direção, numa estrada reta, sem horizonte. Correr num ritmo constante e sem fim. Eu queria sentir o vento secando a pele, do meu esforço, tirando meus cabelos do rosto. Eu queria chegar ao fim e começar de novo...

Correr sem rumo ou descanso, sentindo cada músculo ardendo no corpo, sentindo a dormência do sangue em movimento. Eu queria correr até me faltar o fôlego, até abrir o peito, e solto, poder sair do chão. 

E que seja qual for o fim do percurso, que seja a minha companhia o silêncio que só a ausência permite, ao coração...

terça-feira, 30 de julho de 2013

Altos e baixos...

Faz tempo, tanto tempo, que eu nem lembro quando foi a última vez, que eu me senti assim, num estado embrionário, como se fosse um feto bem encolhido, guardando todas as energias para o nascimento. Como eu já nasci, suponho que seja um renascimento, no sentido figurado, claro. Sempre vejo a vida como uma sucessão de levantes e declínios em períodos mais ou menos longos, instáveis, imprevisíveis e aleatórios provocados por eventos de ordem universal e incompreensível. Partindo do princípio clichê da montanha russa, como metáfora para a vida, com altos e baixos, momentos bons e ruins, eu tenho considerações a fazer. 

No caso da montanha russa, os altos e baixos querem dizer justamente o oposto da própria definição: o alto da montanha russa é o marasmo e a inércia, e a descida da montanha é a adrenalina e a emoção. Isso significa que essa metáfora pra vida serve apenas se pensarmos que "o alto da montanha" (felicidade, realização, amor, paz, etc) é o ponto de inércia do ser humano e que, por isso, "a descida da montanha" só pode ser a própria vida, em si, em todas as dimensões do sofrimento, do desespero, a atividade emocional e, por isso, da emoção. 

O que eu quero dizer com isto tudo, mesmo que eu não esteja conseguindo me fazer entender (ou estou?), é que a felicidade/realização/etc é o estado de latência/plenitude embrionária no qual eu me encontro, lá no topo da montanha russa, aquele ponto de conforto e acomodação que precede a descida, e isso pode parecer interessante afinal não é a felicidade o que todos nós buscamos? É, seria, se não fosse a inércia óbvia dos meus pensamentos, o marasmo emocional,
a preguiça com que se arrastam os meus dias e uma felicidade solitária, desbotada e sem fim que só pode ser alimentada com séries no computador, livros e silêncio.

Com certeza a descida está próxima e em algum momento inesperado eu serei arremessada contra o vento, sentindo o estômago colar nas costas, os pulmões doerem invadidos de ar, e a angústia de todos os sentimentos esquecidos vão brotar na minha boca como um grito, me trazendo a um novo ponto de partida.

domingo, 14 de julho de 2013

Laços...

Porque hoje é domingo, dia de solidão no 501, quase véspera de um reencontro, me deu  uma vontade danada de dizer alguma coisa, qualquer coisa, sobre paternidade. N
ão sei nada sobre SER mãe ou pai; minha experiência se limita a TER pai e mãe. Do alto dos meus 38 anos, ainda imaturos, só posso dizer que não deve ser fácil ser pai ou mãe de alguém ( ser filho também não é tarefa das mais simples). Imagino o que se passa pela cabeça e pelo coração de alguém, quando descobre que vai , para sempre, influenciar diretamente a vida de uma pessoa que nem conhece cuja companhia não tem direito de escolher.
Porque pai e mãe não escolhem o filho que terão, não decidem se aquela pessoa será interessante e divertida, não podem simplesmente se cansar de um filho chato e arranjar outro, assim como fazemos com amigos,amores, conhecidos. Ter um filho, me parece, é como dar um tiro no escuro, é fazer um contrato de amor vitalício, pra sempre, sem garantias.

Uma coisa que aprendi nesses últimos tempos e que vale para todas as nossas relações é que não se pode esperar o tempo ajeitar tudo. Uma vez, me disseram que eu entenderia muitas coisas quando crescesse, quando fosse adulta. Pois é, a gente entende mesmo. A gente cresce e entende que nossos pais são de carne e osso feito a gente. Erram, acertam, choram, se cansam como todo mundo. A gente aprende a entender isso; busca aprender a perdoar seus erros e a compreender suas dores porque também temos as nossas dores e os nossos erros.

Então, chega um tempo que o amor e o afeto prevalecem, de alguma forma. Há casos, porém, em que o entendimento vem, mas alguns espaços nunca são preenchidos de fato. Porque há conceitos que não brotam assim do nada, só porque a gente quer.  Acho que o amor tem que ser um processo vitalício, tanto quanto vitalício é o registro de um nome numa certidão de nascimento.


Se eu pudesse dizer algo para todos os pais agora, eu sugeriria que nunca negligenciem as pessoas que amam. É um clichê, eu sei, mas funciona. Ainda que a gente não saiba ser maduro, coerente; por mais que a gente faça coisas erradas, vale a pena não ser egoísta. Pode não evitar sofrimento, estresse, anos de terapia, mas garante a vitalidade de laços indispensáveis.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Ciclos...

Era final julho de 2005. Fazia muito frio, mas eu pouco me importei com a temperatura. Queria mesmo era recomeçar minha vida profissional. Depois de nove anos em Joaçaba, era hora de partir. Com dedicação escolhi minha nova morada, na nova cidade que ira me acolher: Videira. Não sofri por deixar Joaçaba. Não sofri porque o namorado da época continuaria morando lá e eu cá. Estava feliz e determinada a enfrentar a nova cidade e o novo trabalho, mesmo sabendo que tinha tempo marcado, cerca de dois anos.

Escolhi cada detalhe da nova casa que seria só minha. Comprei móveis novos, utensílios domésticos, objetos de decoração. Arrumei meu cantinho e fui feliz com as visitas semanais do meu amor. Também amei meu novo trabalho e passei a construir aqui na Capital da Uva, novos capítulos da minha história. 

Desde então, alguns anos se passaram. Neste mês, o ciclo de oito anos se completa. Dos 30 anos pulei para os 38. É um tempo considerável. Nesse período o namoro acabou e o amor se dissipou. Nunca mais o encontrei e creio que também não o tenha procurado com a atenção que ele merece. Engana-se quem pensa que por conta disso fui infeliz. Muito pelo contrário. Conheci muita gente bacana. Me enamorei. Fiz amigos. Mudei novamente de emprego.Cresci profissionalmente. Estudei. Sofri de saudades da minha família que mora longe. Mas estou mais madura. Estou feliz. 

 O futuro será aqui? Bah! Não me façam pergunta difícil. A única certeza que tenho é que eu gostaria de estar mais perto dos meus e principalmente que sei que Deus está no controle de tudo. E Ele só vai me levar para onde eu mereça.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Era primavera...

Eu já estive apaixonada quatro ou cinco vezes na  vida e não posso afirmar, com precisão, se um dia já amei um homem verdadeiramente. No fundo eu acho que não. Mas como saber o amor ?
Das paixões, eu creio que me lembre, pelo modo como terminaram. Doloridamente. Nem todas, mas algumas doeram muito. Doeram alma e corpo.  Talvez tenham sido aquelas em que entrei com a bunda e meus "amados" com o pé, para tornar o "fora", mais humorado.

Algumas delas nem me lembro mais porque doeram tanto e as que me lembro, posso assegurar que a lembrança não é por apego, só é porque não temos o poder de apagar nossa memória com uma borracha imaginária.

Era primavera em Videira...

Às oito de um sábado ele tocou a campainha e eu não imaginava o desfecho. Tudo parecia normal, cheio de idas e vindas, como sempre, mas com final feliz. Já estávamos juntos havia quase quatro anos e eu conhecia os movimentos que, aos finais de semana o levavam e o traziam de volta. Mas aquele dia foi diferente, ele estava determinado, frio, com um olhar vazado, quase nulo, e, por mais que eu tentasse trazê-lo de volta daquele fundo onde parecia ter se escondido, eu não conseguia. 

Passamos a metade da manhã conversando, encerrando aquela história que nos parecia interminável. Tentei fazer com que se lembrasse dos nossos momentos, dos nossos pactos e sonhos, das nossas conquistas, da parceria, da cumplicidade, do desejo, mas nada, ele estava certo do que queria. Tão certo que se constrangia, visivelmente, com aquela situação. 

- Você sofre porque me ama, eu dizia -  porque não quer se afastar de mim. Ele ficava mudo porque sabia que não, ele sofria exatamente porque não me queria mais, mesmo com toda cumplicidade, parceria, sonhos, pactos, conquistas, desejo. Às 10h30 ele saiu, estávamos exaustos. Me joguei na cama. Era um dia de primavera. Fechei os olhos enquanto lágrimas escorriam pelo rosto. Rememorei os quase quatro anos ao lado daquela criatura. Às vezes suspirava para secar aquele rio insistente brotando dos meus olhos. Tudo doía, o peito, os olhos, as mãos, o céu também doía e as ruas, as esquinas, a minha vida, tudo amargava em minha boca. 

Na segunda-feira a vida continuou. Fui trabalhar  e me vi, por alguns segundos, com um andar tão lânguido, os olhos inchados, os ombros caídos, as lágrimas iminentes, era tudo tão bonito, que me encantou. Continuei sofrendo, na terça, na quarta, na quinta, na sexta.  Foram incontáveis telefonemas e lágrimas querendo compreender porque o namoro havia findado. Não tinha explicação plausível que me convencesse. Escrevi -lhe uma carta. Nas linhas tinham promessas que eu jamais poderia cumprir, mas cá entre nós, um drama bem feito pode gerar frutos.

E assim foi. Uma semana depois a semente tinha germinado. O "querido" havia se arrependido. Curtir a vida, solteiro, como ele previra, duas semanas antes, não era lá essa maravilha que lhe tinham propagado. E ele reapareceu. Dessa vez era ele quem implorava uma segunda chance. Titubeei, mas pensei com meus botões: se ele te abandonou uma vez, vai fazer uma segunda. Vale a pena? você o ama? eram questões que giravam na minha cabeça.

Então eu disse não. A dor provocada por aquele menino fez com que eu visse uma jovem mulher vivendo, tão digna em sua dor, tão firme em seus propósitos, que pude sentir alegria, alegria de viver, com todos os ganhos e perdas, com todos os conflitos e contradições que estar vivo implica. E segui minha vida. Solteira.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Inspiração...

Como você tem agido na sua vida? Em todos os sentidos. Os pessoais, os profissionais e os interpessoais?
Essas são perguntas que tem me tirado o sono nos últimos tempos, porque tenho uma certeza muito grande que Deus não me criou para ser apenas a Silvia que venho sendo. Certamente Ele espera mais de mim, afinal me fez única. Não há nenhuma outra criatura, na face da terra, que seja igual a mim. Então, será que os rumos que eu tenho dado pra minha vida são dignos do direito de "personalização" que Deus me deu?

Sinceramente, eu acredito estar muito aquém das expectativas que Deus tem comigo. E não falo em fazer a diferença no universo e receber o Nobel da Paz. Não, não é nada disso. É fazer a diferença no meu contexto. No contexto que me abriga. Já houve um tempo em que eu queria passar despercebida. Queria ficar escondidinha. E assim fiquei. Mas ser morna é muito frustrante. Quero ser fogo. Labareda. Servir de inspiração. Não como modelo de algo, porque cada um carrega sua singularidade. Mas tem pessoas que nos inspiram. Pessoas que exalam o perfume da fé e da vida em sua plenitude, com dores e alegrias.

Para trilhar esse caminho, eu já sei que
é preciso ter dedicação, serenidade, mansidão. É preciso ter consciência que há conseqüências na vida que não têm volta. Há planos que não podem ser refeitos. Há sonhos que não podem ser sonhados novamente. Há perdas que não têm restituição. Há prejuízos sem volta e há oportunidades que são perdidas para sempre.